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Editorial & Opinião

Espaço dedicado a reflexões, análises críticas e debates sobre o panorama das políticas públicas e a produção cultural em Ourinhos.

25 de maio de 2026

Um elefante branco no meio da sala:FAPI.

Quando pequeno, eu sempre esperava chegar essa época do ano. Era demais ver toda aquela multidão, os animais, as roupas, as máquinas gigantes… Tudo era novidade, tudo era especial. A cidade mudava, as aulas começavam mais tarde no período da manhã, todo mundo ia comprar sua roupa especial. O parque, o cheiro, o frio, as famílias, a maçã do amor, o yakisoba… Era assim que eu via a FAPI quando era criança.

Na adolescência, o olhar já era diferente: era o momento de se encontrar e encontrar alguém legal. Todos os jovens estavam lá, experimentando alguma coisa. Parecia que a cidade dobrava de tamanho com tanta gente. Também tinham os shows: a galera do rock dos anos 90 e 2000, MPB, samba, sertanejo. Às vezes, a gente ia só para ver aquele artista que só conhecia pela televisão.

Agora, como adulto, a percepção já é outra. A inocência da criança feliz com a festa dá lugar a um olhar mais crítico sobre a cultura e a tradição. A FAPI — Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos —, tradição cultural da cidade, também mudou. Já não é mais a mesma, e tudo indica o seu fim. Aquela que já foi uma das três maiores feiras de portões abertos do Brasil.

Falar da FAPI pode ser complexo, pois existe uma relação de “amor e ódio”. Todas as críticas são relevantes e realistas: a questão dos maus-tratos aos animais, o valor da festa para a população, a segurança, entre outras. Mas é justamente com todas essas contradições que ela faz parte da cultura e da tradição de Ourinhos.

A festa movimentava — hoje já não movimenta mais — milhões de reais: venda de máquinas, negócios agropecuários, compras no comércio local, hotéis, restaurantes e o comércio informal. Sua decadência não começou hoje; começou com as divergências políticas locais sobre sua forma de financiamento e realização, ainda na década de 2010. Depois veio a tentativa frustrada de cobrar ingresso para os shows. Tiveram que abrir os portões para o povo, pois o artista não iria tocar para apenas 200 pagantes.

Desse período até os dias atuais, a festa perdeu totalmente sua característica inicial. Já em 2025, ela foi “épica”. Tão épica que apareceu na TV, mas não pela sua beleza ou tradição, e sim pelo escândalo de suposto enriquecimento ilícito daqueles que deveriam cuidar da cultura e da tradição.

Por fim, a FAPI é apenas mais uma amostra de como os diversos gestores da cidade cuidam da cultura e das tradições do povo ourinhense. A cultura é uma das pastas com menor orçamento; não há um conselho de cultura que fiscalize suas ações, o que fragiliza ainda mais o uso da verba cultural. Neste ano, já não se sabe sequer se a festa irá acontecer. E, se acontecer, infelizmente já não se parece mais com “aquela FAPI”. Está muito mais para um espantalho, um elefante branco no meio da sala.

OB
Observatório da Cultura
Ourinhos-SP
19 de maio de 2026

Trabalhador da Cultura: arte, trabalho e resistência

Ser trabalhador da cultura é transformar talento, estudo e dedicação em arte, conhecimento e geração de renda. São artistas, técnicos, produtores, educadores e agentes culturais que, por meio das sete artes, movimentam a economia criativa e fortalecem a identidade cultural da nossa sociedade.

Em Ourinhos, os trabalhadores da cultura seguem exercendo seu ofício com empenho e resistência, mesmo diante das dificuldades e da falta de apoio adequado. Fazer cultura sem incentivo é um desafio constante, mas ainda assim esses profissionais continuam produzindo, formando público e levando arte para toda a comunidade.

É importante lembrar que foi prometida pela Prefeitura de Ourinhos e pela Secretaria Municipal de Cultura a abertura do edital da PNAB 2026 no mês de abril. Até o momento, essa promessa ainda não foi cumprida. O cumprimento desse compromisso representa respeito aos profissionais da cultura e reconhecimento da importância do seu trabalho para o desenvolvimento social, econômico e cultural do município.

A cultura é trabalho. A cultura gera renda, empregos e oportunidades. A cultura educa, inspira e transforma realidades.

Valorizar o trabalhador da cultura é investir no futuro da cidade e garantir que a arte continue cumprindo seu papel essencial na construção de uma sociedade mais humana, criativa e consciente.

OB
Observatório da Cultura
Ourinhos-SP